Os condomínios desejam segurança ou sensação de segurança?

Nos últimos três anos, grupos criminosos que se dedicavam ao seqüestro, assalto a bancos e outros delitos graves, migraram suas atividades para um filão muito rentável e menos perigoso. Centenas de prédios residenciais e comerciais foram invadidos em todo país, e o clima de insegurança tomou conta de moradores e empresários.

 Uma nova fórmula de proteção patrimonial tem sido usada ultimamente. Algumas empresas de segurança estão optando em colocar um homem desarmado na rua, geralmente próximo à entrada da garagem, ao lado de um grande guarda sol, onde está estampado o nome da empresa e telefone para contato.

 Alguns moradores resolveram apostar nessa nova estratégia. Eles acreditam que a \"sensação\" de segurança é positiva; no entanto, devemos fazer uma série de reflexões sobre esse sistema. Senão vejamos:

 O conceito de segurança patrimonial se dá “intra murus” e não fora da propriedade particular. A responsabilidade constitucional de zelar pela segurança do cidadão, nas calçadas e ruas, é do Estado, com seu aparato preventivo e repressivo. Outro ponto a ser analisado, refere-se ao fato de que em todos os prédios públicos ligados às forças policiais municipais, estaduais e federais, a proteção patrimonial não é feita com homens nas calçadas, e sim no interior das corporações, onde estão protegidos.

 Mas será que aquele homem uniformizado, que geralmente não é um vigilante treinado e credenciado pela Polícia Federal, e sim um porteiro ou controlador de acesso, que porta apenas um rádio transmissor, é capaz de impedir ou inibir um arrastão no edifício? E nos horários de refeição ou utilização de banheiro, quem cobre sua ausência?

 Outro ponto preocupante é o fato desse profissional exigir que o morador abra os vidros do veículo antes de entrar na garagem, para verificar a idoneidade dos passageiros. Qual será a postura do funcionário, se no interior do auto estiverem dois assaltantes armados? E se os bandidos, sentindo-se acuados, atirarem no vigia ou no próprio morador; de quem será a responsabilidade para fins indenizatórios? Orientamos síndicos a tomarem muito cuidado com estratégias mirabolantes que podem aumentar as despesas mensais do condomínio e fornecer apenas \"sensação\" de segurança e não segurança propriamente dita.

 FONTE:
 Dr. JORGE LORDELLO
 Pesquisador Criminal
 Delegado de Polícia Licenciado
 Consultor de Segurança